Austeridade fiscal x desigualdade social

O Brasil vive um dilema. A política de austeridade fiscal, adotada pelo Governo Federal a partir de 2015, tem sido questionada por inúmeros estudos que comprovam o aumento da desigualdade social no país a partir do corte dos investimentos governamentais. A BBC News Brasil apresenta, nesta segunda-feira (26), uma reportagem sobre o relatório da ONG Oxfam. A organização internacional mostra no documento País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras – 2018 que os segmentos mais ricos conseguiram aumentar sua renda no ano passado, enquanto os ganhos dos mais pobres recuaram.

Apesar do aumento de 1% da economia brasileira em 2017, após dois anos de retração, o que se percebeu, comparado ao ano anterior, foi o aumento da desigualdade social. Os 10% de brasileiros mais ricos tiveram um aumento médio de 6% nos ganhos obtidos com seu trabalho. Já a metade mais pobre da população, por sua vez, teve uma queda de 3,5% de seus rendimentos em 2017, um reflexo do aumento do desemprego no país.

Nas páginas amarelas da Revista Veja deste final de semana o economista Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008 e colunista do jornal The New York Times, avalia que o Brasil errou a partir de 2015 quando freou os gastos, mesmo com um déficit fiscal, de maneira repentina. Para ele o maior problema fiscal do Brasil são as aposentadorias e pensões, tendo a necessidade de reduzir o tamanho da Previdência gradualmente. Defende que a lógica econômica é achar soluções graduais e de longo prazo e que uma redução abrupta do investimento governamental em meio a uma recessão é “loucura”.

O maior erro que o Brasil tem cometido é tentar apagar fogo com gasolina. Enquanto não passarmos pelas reformas da previdência e tributária, o cobertor curto continuará sendo disputado entre os mais ricos e os mais pobres. O primeiro passo deve ser inverter a lógica da cobrança dos tributos, os impostos devem incidir prioritariamente sobre a renda do brasileiro e não sobre a produção e o consumo. É dever do Estado reduzir as desigualdades sociais.

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